UPDATES SEMANAIS DE MERCADO
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2026
Fevereiro
UPDATE SEMANAL DE MERCADO 23/02/2026
RAYA Advisory by Francisca Brasileiro
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Semana com poucos dados novos, mas com mudanças relevantes na margem que ajudam a refinar a leitura de cenário. O pano de fundo segue o mesmo: rotação global de capital, Brasil beneficiado por fluxo e um ambiente internacional ainda desafiador.
Brasil: atividade, juros e continuidade do fluxo
O principal dado da semana foi o IBC-Br, que confirmou a desaceleração da economia brasileira. O índice veio em -0,18%, acima da expectativa de -0,40%, indicando que a desaceleração está acontecendo, mas em ritmo mais lento do que o necessário.
Esse ponto é central. O Brasil ainda convive com uma combinação desconfortável de inflação acima da meta e juros elevados. A desaceleração da atividade é justamente o mecanismo esperado para abrir espaço para cortes mais consistentes da Selic.
A expectativa segue sendo de início do ciclo de cortes em março, com redução de 0,50 ponto percentual, levando a taxa de 15% para 14,5%. Para o final de 2026, o mercado projeta algo entre 12,5% e 12%, ainda um patamar elevado em termos globais.
Por outro lado, o fluxo estrangeiro continua sendo o grande vetor do mercado local. O Ibovespa já superou os 190 mil pontos, acumula alta próxima de 5% no mês e cerca de 18% no ano, chegando a quase 50% em 12 meses.
Mesmo com fragilidades estruturais relevantes — especialmente fiscais — o movimento de reprecificação parece ter fôlego. Em ciclos anteriores, após longos períodos de desconto, o mercado brasileiro tende a sustentar movimentos positivos por mais tempo, especialmente quando combinado com início de queda de juros.
Estados Unidos: dados fortes e adiamento dos cortes
Nos Estados Unidos, a ata do Federal Reserve reforçou uma postura de cautela. A inflação segue acima da meta e os dados de emprego continuam resilientes.
Esse conjunto reduz significativamente a probabilidade de cortes já em março. A expectativa dominante migrou para junho, reforçando novamente a narrativa de higher for longer.
Esse movimento tem implicações importantes. O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos tende a permanecer elevado por mais tempo, o que, por um lado, limita parte do fluxo para emergentes, mas, por outro, não tem sido suficiente para interromper o movimento de rotação global.
Europa: incerteza política e impacto no câmbio
Na Europa, um novo fator entrou no radar: a possível saída de Christine Lagarde da presidência do Banco Central Europeu antes do fim de seu mandato trouxe volatilidade na bolsa europeia e no DXY (dólar index que mede o valor do dolar versus uma cesta de Moedas globais)
A gestão de Lagarde vinha sendo bem avaliada, especialmente pela condução do ciclo de juros e pela comunicação clara. A possibilidade de mudança gera incerteza adicional e já teve reflexos no câmbio.
O dólar, medido pelo DXY, segue relativamente estável, com leve valorização recente, refletindo esse ambiente de maior incerteza global.
Apesar do ruido, a bolsa Europeia performou bem e segue superando a americano no ano.
Tecnologia e inteligência artificial
No campo de tecnologia, segue o tema estrutural mais relevante do ciclo atual. A Nvidia anunciou um investimento de aproximadamente 30 bilhões de dólares na OpenAI, reforçando a magnitude da corrida por infraestrutura de inteligência artificial.
O movimento evidencia que a disputa por capacidade computacional e dados continua acelerando, com impactos relevantes sobre capex, margens e dinâmica competitiva das grandes empresas globais.
Conclusão
O cenário permanece consistente com as últimas semanas, mas com ajustes importantes na margem.
No Brasil, a atividade desacelera, mas ainda não o suficiente para garantir um ciclo de cortes mais agressivo. Ainda assim, o fluxo estrangeiro segue forte e sustentando o desempenho da bolsa.
No exterior, a postergação dos cortes de juros nos Estados Unidos reforça um ambiente de juros elevados por mais tempo, enquanto novas incertezas surgem na Europa.
Seguimos, portanto, em um cenário de rotação global de capital, com o Brasil bem posicionado no curto prazo, mas ainda dependente de avanços estruturais para sustentar esse movimento no longo prazo.
Disciplina de portfólio e diversificação seguem sendo fundamentais.
UPDATE SEMANAL DE MERCADO 18/02/2026
RAYA Advisory by Francisca Brasileiro
Semana encurtada por feriados globais e carnaval no Brasil, mas com movimentos relevantes por trás do aparente silêncio. Estados Unidos fechados na segunda-feira pelo Presidents’ Day, China parada pelo Ano Novo Lunar e Brasil praticamente inativo até esta quarta-feira. Ainda assim, os desdobramentos da semana anterior continuam ditando o tom dos mercados.
O mercado brasileiro segue como um dos principais destaques globais neste início de ano. O Ibovespa saiu de aproximadamente 182.500 pontos e encerrou a última sexta-feira em torno de 186.400 pontos, tendo atingido intradiariamente a marca histórica de 190 mil pontos.
O movimento é impulsionado principalmente pelo fluxo estrangeiro dentro do fenômeno conhecido como big rotation. Somente em fevereiro já ingressaram cerca de 30 bilhões de dólares na bolsa brasileira, volume superior ao total observado em todo o ano de 2025.
Brasil: desaceleração da atividade, juros e renda fixa
Os dados recentes de atividade econômica mostram sinais de desaceleração, especialmente em varejo e comércio. Esse enfraquecimento aumenta a probabilidade de início do ciclo de cortes da Selic já a partir de março.
Entre 9 e 13 de fevereiro, o IMA-B registrou alta próxima de 0,50%. Os prefixados já acumulam desempenho superior a 2% no ano. O IHFA sobe cerca de 3% em 2026, indicando melhora relevante do ambiente para estratégias multimercado.
No crédito, o IDA-DI segue positivo em aproximadamente 1,8% no ano. Ainda assim, há pontos de atenção envolvendo reestruturações corporativas e liquidação de bancos médios. O FGC já desembolsou entre 40 e 60 bilhões de reais de um caixa estimado em cerca de 120 bilhões.
Estados Unidos: emprego forte e juros higher for longer
O payroll mostrou abertura de 130 mil vagas, abaixo da expectativa de 170 mil, mas ainda consistente com economia resiliente. A inflação caminha para algo próximo de 2,5% ao ano, ainda distante da meta de 2%.
Com isso, diminuiu a probabilidade de cortes imediatos de juros. A narrativa de higher for longer volta ao centro do debate.
Europa
A Europa apresentou desempenho mais estável, beneficiada por menor tensão geopolítica e bons resultados corporativos.
Conclusão
O tema central é a rotação global de capital. O Brasil se beneficia do fluxo estrangeiro e de múltiplos descontados, mas o cenário ainda exige cautela. Disciplina de portfólio e diversificação seguem fundamentais.
UPDATE SEMANAL DE MERCADO 09/02/2026
RAYA Advisory by Francisca Brasileiro
Semana com muitos eventos importante, mas nada muito diferente do já esperado pelo mercado, trouxe um pouco de calmaria para a 1a semana de fevereiro.
O mercado brasileiro de renda variável segue como um dos grandes destaques globais neste início de ano. O Ibovespa avançou 0,82% na semana, encerrando próximo dos 183 mil pontos e acumulando alta de 13,54% no mês. O movimento é fortemente impulsionado pelo fluxo estrangeiro dentro do que o mercado tem chamado de big rotation.
Esse fenômeno reflete uma realocação global de capital. Investidores reduzem exposição a empresas americanas de tecnologia, negociadas a múltiplos elevados, e buscam mercados mais baratos e setores tradicionais. O Brasil, com valuations comprimidos e empresas mais ligadas à economia real, tem sido um dos principais beneficiários desse fluxo.
Brasil: COPOM, inflação e curva de juros
A ata do COPOM reforçou a expectativa de corte de 0,50 ponto percentual na SELIC na reunião de março, levando a taxa de 15% para 14,5%, assumindo ausência de choques externos relevantes.
Apesar disso, os próprios modelos indicam que a meta de inflação de 3% não será atingida no horizonte relevante de 18 meses. Ainda assim, houve leitura positiva do mercado quanto à credibilidade do Banco Central, especialmente pela sinalização de ancoragem das expectativas de longo prazo.
Por outro lado, a indicação de Guilherme Mello, economista de carreira acadêmica e no estado (em outras palavras, não vem de mercado) e com perfil considerado mais tolerante com inflação, provocou abertura da curva de juros ao longo da semana. O movimento impactou negativamente os títulos indexados à inflação, com o IMA-B (índice dos títulos do tesouro indexados a inflação) registrando queda de 0,30%. Já os pré-fixados ficaram no zero-a-zero e ainda sobrem 2% no ano de 2026
Ou seja, convivemos está semana com duas forças simultâneas: expectativa de corte de juros no curto prazo e maior prêmio de risco na parte longa da curva.
Estados Unidos: juros, política e tecnologia sob pressão
Nos Estados Unidos, o mercado mantém a expectativa de início de cortes de juros a partir de março. A possível indicação de Kevin Warsh para a presidência do FED (Banco Central Americano) foi melhor assimilada pelo mercado, reduzindo parte das incertezas recentes.
No campo político, medidas recentes do ex-presidente Trump e a proximidade das eleições legislativas adicionam ruído, mas sem impacto estrutural imediato sobre os mercados.
A bolsa americana apresentou desempenho mais fraco. O S&P 500 caiu -0,49% na semana, enquanto o MSCI World recuou apenas -0,15%, evidenciando que o movimento não é global, mas concentrado principalmente nas big techs americanas.
Empresas como Alphabet, Amazon e AMD divulgaram resultados abaixo do esperado. A Amazon, por exemplo, registrou queda superior a 8% após o balanço. O pano de fundo é relevante: a nova corrida por inteligência artificial exige volumes crescentes de investimento, tornando essas empresas menos eficientes do ponto de vista de geração de caixa no curto prazo e pressionando múltiplos que já estavam elevados.
Essa combinação tem incentivado a migração de capital para setores mais tradicionais e mercados com valuations mais atrativos, reforçando a big rotation.
Europa e Inglaterra
Na Europa, tanto o Banco Central Europeu quanto o Bank of England mantiveram suas taxas de juros inalteradas. No Reino Unido, a inflação segue ao redor de 3,5%, ainda acima da meta, o que limita espaço para flexibilização monetária mais agressiva, enquanto o BCE (Banco Central Europeu) tem sido bem assertivo em manter a inflação na meta e só deve mexer no juros caso mude algo nos EUA.
Conclusão
O cenário atual é marcado por uma realocação global de capital. A redução de exposição a tecnologia americana e a busca por mercados mais descontados explicam parte relevante da valorização do Brasil neste início de ano.
No entanto, o ambiente doméstico ainda exige cautela. A inflação segue acima da meta, a curva longa reflete prêmio de risco adicional e a dinâmica fiscal permanece no radar. Ainda que a Selic comece a cair em março, é cedo para baixar a guarda na nossa visão!
Estamos em um momento interessante: cortes de juros no horizonte, fluxo estrangeiro positivo e múltiplos atrativos. Mas, como sempre, disciplina de portfólio e diversificação continuam sendo fundamentais.
UPDATE SEMANAL DE MERCADO 02/02/2026
RAYA Advisory by Francisca Brasileiro
Janeiro fecha forte e mercado começa 2026 com mudança de tom
Janeiro de 2026 terminou com um daqueles movimentos que mudam o humor do mercado, ainda que a desconfiança com o otimismo permaneça por aqui, é inegável que os resultados tem sido convincentes e o mercado começa a projetar melhorar em todas as direções.
Em relação a última semana do mês, parece que o ano começou a tomar tração e pela primeira vez em um bom tempo, os dados falaram mais alto do que o barulho geopolítico.
O grande destaque da semana (e do mês) foi a reunião do Copom. O comunicado foi claro: os cortes da taxa Selic devem começar já na próxima reunião, em março, e de forma serena. Traduzindo: o Comitê de Política Monetária (COPOM) entende que já chegou a hora de ajustar o nível dos juros, e deixou isso de forma explicita em seu comunicado:
"Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros. O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião"
Selic: fim da taxa nas máximas
Inicialmente, o mercado leu o comunicado como um possível corte de 0,25 p.p. uma vez que o comunicado indica que velocidade e magnitude dos cortes do ciclo previsto para se iniciar em março, devem ser "serenos":
Mas essa leitura durou pouco. As curvas rapidamente se ajustaram e hoje já existe cerca de 50% de probabilidade de um corte de 0,50 p.p., o que tiraria a Selic da máxima de 15% ao ano.
O cenário mais provável está entre 14,75% e 14,5%, com uma minoria apostando em algo mais agressivo. Mais importante do que o tamanho do corte é o sinal claro de mudança de ciclo.
Dólar em queda: o aliado silencioso
O dólar começou o ano caindo mais de 5% e fechou janeiro em R$ 5,19. Um câmbio mais fraco reduz a pressão inflacionária vinda de fora, melhora expectativas e abre espaço para cortes de juros mais consistentes.
Renda fixa responde
Com a queda das expectativas de juros, os títulos pré-fixados e indexados à inflação tiveram uma semana excelente, com ganhos próximos de 1% em apenas cinco dias. Os pré-fixados fecharam o 1o mês do ano com 1,96% de alta, bem acima da taxa Selic. Já os títulos indexados a inflação (IMA-B ou tesouro inflação) recuperaram um início de ano ruim, e fecharam pouca coisa abaixo do CDI/Selic.
Bolsa brasileira e capital estrangeiro
Apesar da perspectiva de queda de juros, o investidor estrangeiro continuou muito presente. A bolsa brasileira fechou janeiro com alta de 12,6%, mesmo após pequeno ajuste nos últimos dias do mês. Refletindo a piora nas bolsas globais, que detalharemos a seguir, o investidor aproveitou a fase para uma realização de lucros.
Não acreditamos que a tendencia de alta deve ser revertida rapidamente a menos que haja uma mudança maior no cenário externo. Vale sempre lembrar que cerca de 60% do capital investido na bolsa brasileira é estrangeiro.
Cenário internacional
O Fed manteve os juros entre 3,5% e 3,75%, com discurso neutro que não deram muito o tom de quando o ciclo de corte de juros será retomado na terra do Tio Sam.
Um dos grandes receios que trouxe bastante volatilidade para a bolsa americana foi as sondagens sobre quem seria o indicado para ocupar o cargo de próximo presidente do FED. Conhecida na 5ª feira, a indicação de Kevin Warsh como o nome escolhido foi bem recebida, reduzindo o temor de interferência política direta.
Essa notícia foi seguida pela informação de que, no apagar das luzes, o presidente Trump conseguiu um acordo com os democratas evitando um novo "Shutdown", período no qual a economia americana fica parada por não haver uma cordo sobre os gastos públicos. No ano passado o governo ficou mais de 50 dias neste estado, causando uma série de prejuízos.
Ambas as notícias juntas levaram o mercado a entender que o presidente americano tem buscado uma linha mais moderada, tendo em vista que a popularidade do mesmo vem caindo, especialmente depois dos eventos evolvendo a polícia anti-imigração ICE.
Como esse ano teremos eleições para Senada e Câmara os deputados por lá, especialistas indicam que os republicanos correm o risco de perder a maioria em ambas as casas, e o presidente estaria sendo pressionado por membros do próprio partido a adotar essa postura mais apaziguadora.
Quem reagiu bem a esse cenário foi o Ouro que após várias semanas de alto teve uma forte queda, revertendo parte dos ganhos.
Geopolítica e petróleo
As tensões com o Irã continuam elevadas, sustentando a alta do petróleo e mantendo riscos no radar global.
Big Techs e inteligência artificial
Os balanços das Big Techs mostraram resultados mistos. O ponto central é a preocupação crescente com os altíssimos investimentos exigidos pela inteligência artificial e seus impactos sobre margens futuras.
Enquanto a Meta subiu 10% logo após a divulgação dos resultados, por ter conseguido reverter os investimentos em IA em mais anúncios, Microsoft caiu os mesmos 10% pois não conseguiu monetizar como esperado os investimentos feitos em computação nas nuvens. Já a Apple melhorou seu lucro, mas mostrou uma margem mais reduzida justamente pelo aumento de custos. Já a Amazon chocou a todos com o anúncio de que pretende investir cerca de $50 bilhões na Open IA.
O mercado observa bastante cauteloso o impacto nos dados financeiros dessas companhias com a nova dinâmica de investimentos e resultados. Tudo acontece muito rápido e depois das fontes alta recentes, parte dos investidores espera que em algum momento pode haver um movimento contrário.
Os dados por hora não indicam excessos "nos múltiplos", ou seja, a bolsa americana segue relativamente cara, mas nada fora do padrão dos últimos anos!
Conclusão
Janeiro deixou claro que o ciclo mudou, mas o cenário ainda exige leitura fina. O foco agora se volta para a ata do Copom e os próximos sinais do Fed.