UPDATES SEMANAIS DE MERCADO
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2026
Fevereiro
UPDATE SEMANAL DE MERCADO 09/03/2026
RAYA Advisory by Francisca Brasileiro
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Geopolítica, Petróleo e o Dilema dos Juros
A primeira semana de março de 2026 consolidou o movimento de aversão a risco dos mercados internacionais. O acirramento do conflito entre Irã, EUA e Israel ofuscou outros dados relevantes e deu a tônica nos preços, levando os investidores a reduzirem suas exposições a risco e buscarem portos seguros com ativos de mais qualidade (chamamos esse movimento de fly to quality).
Como resultado vimos as principais bolsas globais caírem e o Ibovespa perder devolver parte dos ganhos do ano, entregando 5% de retorno negativo na semana.
O Gatilho: O Estreito de Ormuz e o Choque do Petróleo
O centro gravitacional das atenções mundiais deslocou-se para o Oriente Médio. O acirramento das tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã culminou em uma série de ataques a bases militares estratégicas, mas o impacto mais profundo não se deu apenas no campo de batalha, e sim nas rotas logísticas globais.
O Estreito de Ormuz, por onde transita aproximadamente 20% de toda a produção mundial de petróleo, encontra-se em um estado de "fechamento prático". Embora o governo iraniano negue um bloqueio total, a restrição a navios de bandeira americana, israelense e de seus aliados gerou um efeito imediato: o custo do seguro marítimo atingiu níveis proibitivos, paralisando o fluxo comercial.
Como consequência, o barril de petróleo rompeu a barreira psicológica dos US$ 100, atingindo picos de US$ 118. Esta alta de cerca de 25% em um curto espaço de tempo atua como um imposto direto sobre o consumo global, pressionando as cadeias produtivas que já lutavam contra gargalos inflacionários. No Brasil, o cenário é agravado pela defasagem acumulada; estima-se que o diesel e a gasolina precisariam de reajustes entre 25% e 30% para se alinharem à paridade internacional, um movimento que o Banco Central observa com extrema cautela.
O Dilema Brasileiro: A Selic e o Espectro da Inflação
No plano doméstico, o Brasil vive um momento de encruzilhada. Após um longo período mantendo a taxa Selic em patamares historicamente elevados — com o juros mantendo-se elevado em níveis não vistos desde a primeira gestão do governo Lula em 2002 — o mercado ansiava pelo início de um ciclo consistente de cortes de juros.
Contudo, a autoridade monetária brasileira opera sob um Regime de Metas de Inflação, e a meta central de 3% ao ano parece cada vez mais distante. O Dilema de Março reside no mecanismo de transmissão da política monetária:
  • Horizonte Relevante: O Banco Central olha para um horizonte de 18 meses. Decisões tomadas hoje terão seu efeito pleno apenas no segundo semestre de 2027.
  • Inércia e Pressão de Custos: Com a alta do petróleo, a inflação de custos (alimentos, fretes e insumos) tende a se espalhar pela economia, gerando uma inércia que dificulta a convergência para a meta.
Na reunião agendada para 18 de março, o mercado estava dividido entre um corte de 0,50 p.p. e um corte mais conservador de 0,25 p.p. (ou mesmo a manutenção da taxa). A pressão inflacionária sugere que o Banco Central pode ser forçado a adotar um tom mais "hawkish" (rigoroso), sinalizando que o ciclo de queda pode ser mais curto ou mais lento do que o anteriormente precificado.
Estados Unidos e o Risco de Estagflação
A maior economia do mundo também enviou sinais contraditórios na última semana. Os dados do Payroll (folha de pagamentos não-agrícola) revelaram uma desaceleração no número de vagas: enquanto se esperava a criação de 50 mil postos, o resultado foi o fechamento de 90 mil. Teoricamente, isso sinalizaria um resfriamento econômico que permitiria ao Federal Reserve (Fed) cortar juros.
Entretanto, o paradoxo reside na inflação salarial. Mesmo com menos contratações, o crescimento real dos salários veio acima das expectativas (3,8%). Esse cenário de baixo crescimento econômico acompanhado de inflação persistente é o que chamamos tecnicamente de Estagflação.
Essa dinâmica forçou uma reprecificação das curvas de juros nos EUA. A expectativa de cortes começou a ser empurrada de março para junho, e agora para setembro, mantendo os rendimentos dos títulos do Tesouro (Treasuries) em alta e penalizando o mercado de ações, especialmente o setor de tecnologia.
A "Brasileirização" do Mundo e o Mercado de Crédito
Um conceito interessante discutido recentemente pela revista The Economist e ecoado em nossa análise é a "Brasileirização" da economia global. Este termo refere-se a um mundo onde países desenvolvidos passam a conviver com características antes restritas a mercados emergentes:
  • Níveis de endividamento público altíssimos.
  • Taxas de juros reais elevadas por períodos prolongados.
  • Inflação volátil e persistente.
Este novo "normal" global está cobrando seu preço no Mercado de Crédito. Recentemente, observamos gestoras gigantes como BlackRock e Blue Owl fecharem fundos de crédito privado para resgates. Quando o mercado de crédito trava, é um sinal de alerta máximo; isso indica que a liquidez está secando e que o risco de inadimplência corporativa, sob juros altos, está sendo reavaliado.
No Brasil, os ativos de renda fixa também sofreram. Títulos prefixados e indexados à inflação registraram perdas na marcação a mercado nesta semana, com os índices caindo entre 1,00% e 1,23%, refletindo o temor de que o CDI permaneça alto por mais tempo do que o investidor médio gostaria.
Considerações da RAYA
O Ibovespa, que havia superado os 190 mil pontos no início do ano, recuou para a casa dos 179 mil, uma realização natural diante da magnitude das incertezas geopolíticas. Contudo, é fundamental notar que, no acumulado do ano, a bolsa brasileira ainda mantém uma performance resiliente de 11%, superando índices como o S&P 500 e o MSCI Word que estão oscilando ao redor do “zero-a zero”
Temos alertado já há um tempo que o enxergamos como um movimento arriscado reduzir o juros em um cenário onde a inflação ainda está muito longe do centro da meta e sem sinais de convergência no horizonte relevante de tempo (consideramos o horizonte relevante de tempo o período de 18 meses no qual as ações das políticas monetárias tendem a fazer efeito)
Qual a recomendação para o investidor?
Na RAYA, continuamos monitorando os desdobramentos no Oriente Médio e a comunicação do Banco Central. O cenário é de cautela, mas ainda enxergamos que o fluxo de recursos estrangeiros deve priorizar o Brasil em relação a outras dívidas, ainda que em um primeiro momento a fuga de mercados emergentes fale mais alto.
UPDATE SEMANAL DE MERCADO 02/03/2026
RAYA Advisory by Francisca Brasileiro
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A última semana foi marcada por fortes emoções e eventos bastante extremos. Ainda no dia 20/2, novos desdobramentos na guerra comercial global ("Trade War") surgiram com a suprema corte americana declarando inconstitucional o regime tarifário imposto por Trump ao resto do mundo. O que começou com incertezas sobre política comercial nos Estados Unidos evoluiu para um ambiente de maior aversão a risco, encerrando com um choque geopolítico relevante envolvendo EUA e Irã, com impacto direto sobre o petróleo e as expectativas de inflação global.
No Brasil, o principal destaque foi a surpresa inflacionária vinda do IPCA-15, que reprecificou de forma relevante a trajetória de juros.
Cenário Global: de tarifas a conflito geopolítico
A semana começou com o mercado reagindo às incertezas em torno da política comercial americana. A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de barrar temporariamente a implementação de tarifas mais agressivas trouxe ruído adicional ao ambiente. Ainda que para a maior parte dos países essa notícia seja positiva, coloca em choque acordos comerciais que já estavam em negociação, como era o caso da Europa.
Logo após o anúncio da suprema corte, o presidente Donald Trump anunciou uma elevação das tarifas básicas (impostas a todos os países como mínimo) de 10% para 15%, usando o subterfúgio da seção 122 do "trade act" de 1974 (lei sobre acordos comerciais).
Porém, para usar esse instrumento jurídico, é preciso ainda uma rodada de aprovações e nada nessa lei é simples, portanto, não sabemos ao certo se de fato essas novas tarifas entrarão em vigor e quando.
Na prática, o mercado passou a interpretar o movimento como um recuo tático, com a tarifa efetiva mantida em 10%, reduzindo parcialmente o risco de um choque inflacionário imediato. Países que foram mais impactados pelas tarifas iniciais, incluindo o Brasil, figuram entre os potenciais beneficiários dessa reorganização de fluxos comerciais, ao lado da China que é o maior rival de Trump na guerra comercial.
Estados Unidos: inflação resiliente e juros mais altos por mais tempo
Os dados de inflação reforçaram o cenário de maior cautela por parte do Federal Reserve.
PCE (núcleo) — principal métrica acompanhada pelo Fed para medir inflação ao consumidor — veio em:
• +0,42% m/m (vs. ~0,30% esperado)
• +3,1% a/a (vs. ~3,0% esperado)
PPI — que mede os preços no atacado — surpreendeu:
• +0,5% m/m (vs. 0,3% esperado)
• +2,9% a/a (vs. 1,6% esperado)
A combinação desses dados afastou ainda mais a possibilidade de cortes nas taxas de juros americanas no 1º semestre de 2026, e reforçou o discurso de "higher for longer" — ou seja, juros mais altos que a média histórica, por um período mais longo do que o previsto. Discurso esse amplificado por membros do Fed, como Susan Collins, que destacou a necessidade de "maior confiança na desinflação" para mover os juros.
Nos mercados:
• Treasury 10 anos: 3,96% (flight to quality no fim da semana pós guerra com o Irã)
• DXY: 97,6 (-0,18% na semana)
Bolsas americanas corrigiram:
• S&P 500: -1,41% na semana
• Nasdaq: -0,92% no último pregão
Tecnologia e IA: resultado de Nvidia e ajuste de expectativas
O resultado da NVIDIA, apesar de vir com números muito robustos de lucro — inclusive acima do esperado —, reacendeu os temores sobre as ações de IA. O fato é que os investimentos na nova era da computação são tão altos que será preciso continuar gerando esse nível de resultado por um longo período para justificar o atual preço das ações e todo o investimento feito nessas empresas.
Esse resultado foi reforçado por um relatório do J.P. Morgan, que estima que serão precisos US$680 bilhões para gerar um Capex de 10% ao ano. Um desafio não impossível, mas bastante incerto.
A reação foi clara:
• Ação NVDA: -7% desde o anúncio (até a última 6ª feira)
O movimento reforça uma dinâmica importante: o mercado já precificava um cenário muito otimista para IA, e qualquer resultado "apenas bom" gera realização.
Geopolítica: escalada no Oriente Médio e choque no petróleo
O principal evento da semana foi a escalada do conflito entre EUA, Israel e Irã.
O principal desdobramento em termos de mercado foi a interrupção de tráfego marinho no Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Mar da Arábia — uma das principais rotas comerciais globais. Segundo o professor Robson Gonçalves, economista da FGV, por esse estreito — controlado pelo Irã — passa cerca de 20% de todo o fluxo de petróleo no mundo.
O petróleo reagiu imediatamente:
• Brent: subiu mais de 12%, atingindo níveis próximos de US$ 81/barril
• Cenários mais extremos projetam US$ 100/barril caso o estreito permaneça fechado por período mais longo
• Atualizações da noite do dia 02/03 indicam que o Irã fechou o estreito e ameaça queimar navios
Esse movimento adiciona um novo vetor inflacionário global — justamente no momento em que a inflação já se mostra mais persistente.
Brasil: inflação surpreende e juros são reprecificados
O grande destaque doméstico foi o IPCA-15 de fevereiro:
• +0,84% m/m (vs. 0,69% esperado)
• 4,10% a/a (acima do consenso que projetava abaixo de 4%)
A surpresa inflacionária teve efeito imediato:
• redução das apostas de corte mais otimistas — de 0,75pp já em março
• questionamento até mesmo do corte de 0,50pp no curto prazo
• revisão da Selic terminal para cerca de 12,25% em dezembro
Vale mencionar que temos alertado aqui que nosso economista acredita em uma inflação bem mais resiliente do que o mercado, e que na nossa visão a inflação não converge para o centro da meta de 3% ao ano com os cortes na Selic.
Movimentos na curva de juros:
• Jan/27: 13,28% (↑)
• Jan/29: 12,64% (↑)
• Jan/33: 13,26% (↑)
Mercados locais: fluxo forte, mas com realização
Apesar do cenário mais desafiador no fim da semana, o Brasil segue como destaque no ano.
Ibovespa:
• chegou a ultrapassar os 192 mil pontos (máxima histórica intradiária)
• Fechamento: 188.786 pontos (-0,96% na semana)
• Acumulado: +4,04% no mês | +17,17% no ano
Renda fixa:
Na renda fixa, essa foi a vez dos títulos indexados à inflação (Tesouro Inflação — medidos pelo IMA-B) se beneficiarem desse cenário, subindo quase 1% na última semana de fevereiro. Os títulos pré-fixados fecharam no positivo, mesmo com a abertura da curva de juros, e seguem como destaque no ano — ambos superam a Selic/CDI.
• IMA-B: +0,96% na semana | +2,81% no ano
• IRF-M: +0,26% na semana | +2,97% no ano
• Selic CDI: +0,29% na semana | +2,20% no ano
Câmbio:
• Dólar: R$ 5,1366 | -1,34% na semana | -6,20% no ano
O real segue como uma das moedas com melhor desempenho global em 2026, sustentado por fluxo estrangeiro.
UPDATE SEMANAL DE MERCADO 23/02/2026
RAYA Advisory by Francisca Brasileiro
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Semana com poucos dados novos, mas com mudanças relevantes na margem que ajudam a refinar a leitura de cenário. O pano de fundo segue o mesmo: rotação global de capital, Brasil beneficiado por fluxo e um ambiente internacional ainda desafiador.
Brasil: atividade, juros e continuidade do fluxo
O principal dado da semana foi o IBC-Br, que confirmou a desaceleração da economia brasileira. O índice veio em -0,18%, acima da expectativa de -0,40%, indicando que a desaceleração está acontecendo, mas em ritmo mais lento do que o necessário.
Esse ponto é central. O Brasil ainda convive com uma combinação desconfortável de inflação acima da meta e juros elevados. A desaceleração da atividade é justamente o mecanismo esperado para abrir espaço para cortes mais consistentes da Selic.
A expectativa segue sendo de início do ciclo de cortes em março, com redução de 0,50 ponto percentual, levando a taxa de 15% para 14,5%. Para o final de 2026, o mercado projeta algo entre 12,5% e 12%, ainda um patamar elevado em termos globais.
Por outro lado, o fluxo estrangeiro continua sendo o grande vetor do mercado local. O Ibovespa já superou os 190 mil pontos, acumula alta próxima de 5% no mês e cerca de 18% no ano, chegando a quase 50% em 12 meses.
Mesmo com fragilidades estruturais relevantes — especialmente fiscais — o movimento de reprecificação parece ter fôlego. Em ciclos anteriores, após longos períodos de desconto, o mercado brasileiro tende a sustentar movimentos positivos por mais tempo, especialmente quando combinado com início de queda de juros.
Estados Unidos: dados fortes e adiamento dos cortes
Nos Estados Unidos, a ata do Federal Reserve reforçou uma postura de cautela. A inflação segue acima da meta e os dados de emprego continuam resilientes.
Esse conjunto reduz significativamente a probabilidade de cortes já em março. A expectativa dominante migrou para junho, reforçando novamente a narrativa de higher for longer.
Esse movimento tem implicações importantes. O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos tende a permanecer elevado por mais tempo, o que, por um lado, limita parte do fluxo para emergentes, mas, por outro, não tem sido suficiente para interromper o movimento de rotação global.
Europa: incerteza política e impacto no câmbio
Na Europa, um novo fator entrou no radar: a possível saída de Christine Lagarde da presidência do Banco Central Europeu antes do fim de seu mandato trouxe volatilidade na bolsa europeia e no DXY (dólar index que mede o valor do dolar versus uma cesta de Moedas globais)
A gestão de Lagarde vinha sendo bem avaliada, especialmente pela condução do ciclo de juros e pela comunicação clara. A possibilidade de mudança gera incerteza adicional e já teve reflexos no câmbio.
O dólar, medido pelo DXY, segue relativamente estável, com leve valorização recente, refletindo esse ambiente de maior incerteza global.
Apesar do ruido, a bolsa Europeia performou bem e segue superando a americano no ano.
Tecnologia e inteligência artificial
No campo de tecnologia, segue o tema estrutural mais relevante do ciclo atual. A Nvidia anunciou um investimento de aproximadamente 30 bilhões de dólares na OpenAI, reforçando a magnitude da corrida por infraestrutura de inteligência artificial.
O movimento evidencia que a disputa por capacidade computacional e dados continua acelerando, com impactos relevantes sobre capex, margens e dinâmica competitiva das grandes empresas globais.
Conclusão
O cenário permanece consistente com as últimas semanas, mas com ajustes importantes na margem.
No Brasil, a atividade desacelera, mas ainda não o suficiente para garantir um ciclo de cortes mais agressivo. Ainda assim, o fluxo estrangeiro segue forte e sustentando o desempenho da bolsa.
No exterior, a postergação dos cortes de juros nos Estados Unidos reforça um ambiente de juros elevados por mais tempo, enquanto novas incertezas surgem na Europa.
Seguimos, portanto, em um cenário de rotação global de capital, com o Brasil bem posicionado no curto prazo, mas ainda dependente de avanços estruturais para sustentar esse movimento no longo prazo.
Disciplina de portfólio e diversificação seguem sendo fundamentais.
UPDATE SEMANAL DE MERCADO 18/02/2026
RAYA Advisory by Francisca Brasileiro
Semana encurtada por feriados globais e carnaval no Brasil, mas com movimentos relevantes por trás do aparente silêncio. Estados Unidos fechados na segunda-feira pelo Presidents’ Day, China parada pelo Ano Novo Lunar e Brasil praticamente inativo até esta quarta-feira. Ainda assim, os desdobramentos da semana anterior continuam ditando o tom dos mercados.
O mercado brasileiro segue como um dos principais destaques globais neste início de ano. O Ibovespa saiu de aproximadamente 182.500 pontos e encerrou a última sexta-feira em torno de 186.400 pontos, tendo atingido intradiariamente a marca histórica de 190 mil pontos.
O movimento é impulsionado principalmente pelo fluxo estrangeiro dentro do fenômeno conhecido como big rotation. Somente em fevereiro já ingressaram cerca de 30 bilhões de dólares na bolsa brasileira, volume superior ao total observado em todo o ano de 2025.
Brasil: desaceleração da atividade, juros e renda fixa
Os dados recentes de atividade econômica mostram sinais de desaceleração, especialmente em varejo e comércio. Esse enfraquecimento aumenta a probabilidade de início do ciclo de cortes da Selic já a partir de março.
Entre 9 e 13 de fevereiro, o IMA-B registrou alta próxima de 0,50%. Os prefixados já acumulam desempenho superior a 2% no ano. O IHFA sobe cerca de 3% em 2026, indicando melhora relevante do ambiente para estratégias multimercado.
No crédito, o IDA-DI segue positivo em aproximadamente 1,8% no ano. Ainda assim, há pontos de atenção envolvendo reestruturações corporativas e liquidação de bancos médios. O FGC já desembolsou entre 40 e 60 bilhões de reais de um caixa estimado em cerca de 120 bilhões.
Estados Unidos: emprego forte e juros higher for longer
O payroll mostrou abertura de 130 mil vagas, abaixo da expectativa de 170 mil, mas ainda consistente com economia resiliente. A inflação caminha para algo próximo de 2,5% ao ano, ainda distante da meta de 2%.
Com isso, diminuiu a probabilidade de cortes imediatos de juros. A narrativa de higher for longer volta ao centro do debate.
Europa
A Europa apresentou desempenho mais estável, beneficiada por menor tensão geopolítica e bons resultados corporativos.
Conclusão
O tema central é a rotação global de capital. O Brasil se beneficia do fluxo estrangeiro e de múltiplos descontados, mas o cenário ainda exige cautela. Disciplina de portfólio e diversificação seguem fundamentais.
UPDATE SEMANAL DE MERCADO 09/02/2026
RAYA Advisory by Francisca Brasileiro
Semana com muitos eventos importante, mas nada muito diferente do já esperado pelo mercado, trouxe um pouco de calmaria para a 1a semana de fevereiro.
O mercado brasileiro de renda variável segue como um dos grandes destaques globais neste início de ano. O Ibovespa avançou 0,82% na semana, encerrando próximo dos 183 mil pontos e acumulando alta de 13,54% no mês. O movimento é fortemente impulsionado pelo fluxo estrangeiro dentro do que o mercado tem chamado de big rotation.
Esse fenômeno reflete uma realocação global de capital. Investidores reduzem exposição a empresas americanas de tecnologia, negociadas a múltiplos elevados, e buscam mercados mais baratos e setores tradicionais. O Brasil, com valuations comprimidos e empresas mais ligadas à economia real, tem sido um dos principais beneficiários desse fluxo.
Brasil: COPOM, inflação e curva de juros
A ata do COPOM reforçou a expectativa de corte de 0,50 ponto percentual na SELIC na reunião de março, levando a taxa de 15% para 14,5%, assumindo ausência de choques externos relevantes.
Apesar disso, os próprios modelos indicam que a meta de inflação de 3% não será atingida no horizonte relevante de 18 meses. Ainda assim, houve leitura positiva do mercado quanto à credibilidade do Banco Central, especialmente pela sinalização de ancoragem das expectativas de longo prazo.
Por outro lado, a indicação de Guilherme Mello, economista de carreira acadêmica e no estado (em outras palavras, não vem de mercado) e com perfil considerado mais tolerante com inflação, provocou abertura da curva de juros ao longo da semana. O movimento impactou negativamente os títulos indexados à inflação, com o IMA-B (índice dos títulos do tesouro indexados a inflação) registrando queda de 0,30%. Já os pré-fixados ficaram no zero-a-zero e ainda sobrem 2% no ano de 2026
Ou seja, convivemos está semana com duas forças simultâneas: expectativa de corte de juros no curto prazo e maior prêmio de risco na parte longa da curva.
Estados Unidos: juros, política e tecnologia sob pressão
Nos Estados Unidos, o mercado mantém a expectativa de início de cortes de juros a partir de março. A possível indicação de Kevin Warsh para a presidência do FED (Banco Central Americano) foi melhor assimilada pelo mercado, reduzindo parte das incertezas recentes.
No campo político, medidas recentes do ex-presidente Trump e a proximidade das eleições legislativas adicionam ruído, mas sem impacto estrutural imediato sobre os mercados.
A bolsa americana apresentou desempenho mais fraco. O S&P 500 caiu -0,49% na semana, enquanto o MSCI World recuou apenas -0,15%, evidenciando que o movimento não é global, mas concentrado principalmente nas big techs americanas.
Empresas como Alphabet, Amazon e AMD divulgaram resultados abaixo do esperado. A Amazon, por exemplo, registrou queda superior a 8% após o balanço. O pano de fundo é relevante: a nova corrida por inteligência artificial exige volumes crescentes de investimento, tornando essas empresas menos eficientes do ponto de vista de geração de caixa no curto prazo e pressionando múltiplos que já estavam elevados.
Essa combinação tem incentivado a migração de capital para setores mais tradicionais e mercados com valuations mais atrativos, reforçando a big rotation.
Europa e Inglaterra
Na Europa, tanto o Banco Central Europeu quanto o Bank of England mantiveram suas taxas de juros inalteradas. No Reino Unido, a inflação segue ao redor de 3,5%, ainda acima da meta, o que limita espaço para flexibilização monetária mais agressiva, enquanto o BCE (Banco Central Europeu) tem sido bem assertivo em manter a inflação na meta e só deve mexer no juros caso mude algo nos EUA.
Conclusão
O cenário atual é marcado por uma realocação global de capital. A redução de exposição a tecnologia americana e a busca por mercados mais descontados explicam parte relevante da valorização do Brasil neste início de ano.
No entanto, o ambiente doméstico ainda exige cautela. A inflação segue acima da meta, a curva longa reflete prêmio de risco adicional e a dinâmica fiscal permanece no radar. Ainda que a Selic comece a cair em março, é cedo para baixar a guarda na nossa visão!
Estamos em um momento interessante: cortes de juros no horizonte, fluxo estrangeiro positivo e múltiplos atrativos. Mas, como sempre, disciplina de portfólio e diversificação continuam sendo fundamentais.
UPDATE SEMANAL DE MERCADO 02/02/2026
RAYA Advisory by Francisca Brasileiro
Janeiro fecha forte e mercado começa 2026 com mudança de tom
Janeiro de 2026 terminou com um daqueles movimentos que mudam o humor do mercado, ainda que a desconfiança com o otimismo permaneça por aqui, é inegável que os resultados tem sido convincentes e o mercado começa a projetar melhorar em todas as direções.
Em relação a última semana do mês, parece que o ano começou a tomar tração e pela primeira vez em um bom tempo, os dados falaram mais alto do que o barulho geopolítico.
O grande destaque da semana (e do mês) foi a reunião do Copom. O comunicado foi claro: os cortes da taxa Selic devem começar já na próxima reunião, em março, e de forma serena. Traduzindo: o Comitê de Política Monetária (COPOM) entende que já chegou a hora de ajustar o nível dos juros, e deixou isso de forma explicita em seu comunicado:
"Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros. O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião"
Selic: fim da taxa nas máximas
Inicialmente, o mercado leu o comunicado como um possível corte de 0,25 p.p. uma vez que o comunicado indica que velocidade e magnitude dos cortes do ciclo previsto para se iniciar em março, devem ser "serenos":
Mas essa leitura durou pouco. As curvas rapidamente se ajustaram e hoje já existe cerca de 50% de probabilidade de um corte de 0,50 p.p., o que tiraria a Selic da máxima de 15% ao ano.
O cenário mais provável está entre 14,75% e 14,5%, com uma minoria apostando em algo mais agressivo. Mais importante do que o tamanho do corte é o sinal claro de mudança de ciclo.
Dólar em queda: o aliado silencioso
O dólar começou o ano caindo mais de 5% e fechou janeiro em R$ 5,19. Um câmbio mais fraco reduz a pressão inflacionária vinda de fora, melhora expectativas e abre espaço para cortes de juros mais consistentes.
Renda fixa responde
Com a queda das expectativas de juros, os títulos pré-fixados e indexados à inflação tiveram uma semana excelente, com ganhos próximos de 1% em apenas cinco dias. Os pré-fixados fecharam o 1o mês do ano com 1,96% de alta, bem acima da taxa Selic. Já os títulos indexados a inflação (IMA-B ou tesouro inflação) recuperaram um início de ano ruim, e fecharam pouca coisa abaixo do CDI/Selic.
Bolsa brasileira e capital estrangeiro
Apesar da perspectiva de queda de juros, o investidor estrangeiro continuou muito presente. A bolsa brasileira fechou janeiro com alta de 12,6%, mesmo após pequeno ajuste nos últimos dias do mês. Refletindo a piora nas bolsas globais, que detalharemos a seguir, o investidor aproveitou a fase para uma realização de lucros.
Não acreditamos que a tendencia de alta deve ser revertida rapidamente a menos que haja uma mudança maior no cenário externo. Vale sempre lembrar que cerca de 60% do capital investido na bolsa brasileira é estrangeiro.
Cenário internacional
O Fed manteve os juros entre 3,5% e 3,75%, com discurso neutro que não deram muito o tom de quando o ciclo de corte de juros será retomado na terra do Tio Sam.
Um dos grandes receios que trouxe bastante volatilidade para a bolsa americana foi as sondagens sobre quem seria o indicado para ocupar o cargo de próximo presidente do FED. Conhecida na 5ª feira, a indicação de Kevin Warsh como o nome escolhido foi bem recebida, reduzindo o temor de interferência política direta.
Essa notícia foi seguida pela informação de que, no apagar das luzes, o presidente Trump conseguiu um acordo com os democratas evitando um novo "Shutdown", período no qual a economia americana fica parada por não haver uma cordo sobre os gastos públicos. No ano passado o governo ficou mais de 50 dias neste estado, causando uma série de prejuízos.
Ambas as notícias juntas levaram o mercado a entender que o presidente americano tem buscado uma linha mais moderada, tendo em vista que a popularidade do mesmo vem caindo, especialmente depois dos eventos evolvendo a polícia anti-imigração ICE.
Como esse ano teremos eleições para Senada e Câmara os deputados por lá, especialistas indicam que os republicanos correm o risco de perder a maioria em ambas as casas, e o presidente estaria sendo pressionado por membros do próprio partido a adotar essa postura mais apaziguadora.
Quem reagiu bem a esse cenário foi o Ouro que após várias semanas de alto teve uma forte queda, revertendo parte dos ganhos.
Geopolítica e petróleo
As tensões com o Irã continuam elevadas, sustentando a alta do petróleo e mantendo riscos no radar global.
Big Techs e inteligência artificial
Os balanços das Big Techs mostraram resultados mistos. O ponto central é a preocupação crescente com os altíssimos investimentos exigidos pela inteligência artificial e seus impactos sobre margens futuras.
Enquanto a Meta subiu 10% logo após a divulgação dos resultados, por ter conseguido reverter os investimentos em IA em mais anúncios, Microsoft caiu os mesmos 10% pois não conseguiu monetizar como esperado os investimentos feitos em computação nas nuvens. Já a Apple melhorou seu lucro, mas mostrou uma margem mais reduzida justamente pelo aumento de custos. Já a Amazon chocou a todos com o anúncio de que pretende investir cerca de $50 bilhões na Open IA.
O mercado observa bastante cauteloso o impacto nos dados financeiros dessas companhias com a nova dinâmica de investimentos e resultados. Tudo acontece muito rápido e depois das fontes alta recentes, parte dos investidores espera que em algum momento pode haver um movimento contrário.
Os dados por hora não indicam excessos "nos múltiplos", ou seja, a bolsa americana segue relativamente cara, mas nada fora do padrão dos últimos anos!
Conclusão
Janeiro deixou claro que o ciclo mudou, mas o cenário ainda exige leitura fina. O foco agora se volta para a ata do Copom e os próximos sinais do Fed.